Por: Santiago Camarasa, 1926
Neste Blog quero tentar mostrar o interior de uma grande beleza de coração que foi o de Santa Beatriz, e o Caminho percorrido por todas as suas filhas: as Irmãs Concepcionistas.
julho 12, 2018
novembro 12, 2013
O Carisma de Santa Beatriz
O Carisma de Santa Beatriz
![]()
“Santa Beatriz da Silva deu origem a uma nova Família Religiosa que encontra sua raiz e sua razão de ser na Igreja na contemplação do mistério da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria e no empenho por imitar e reproduzir suas virtudes”.
Santa Beatriz, como primeira pedra viva iniciou o monumento existencial em veneração da Imaculada Conceição como perene homenagem à “Cheia de Graça”, glorificando a Deus pelas maravilhas que fez em Maria Imaculada a favor de toda humanidade.
O centro de nossa vida é Cristo, porém a Ele se lhe pode contemplar de diversas espiritualidades na Igreja, expressão da riqueza do mistério cristão.
É bom, contudo, vez por outra voltar ao próprio carisma para saborear, dar graças e descobrir novas luzes.
O carisma de Beatriz, como ocorre com o nascimento de outros carismas, comporta certa novidade genuína de vida espiritual na Igreja. Corresponde à hierarquia reconhecer e interpretar todos os carismas ou dons do Espírito Santo. Verificada sua autenticidade, o carisma se torna patrimônio da Igreja, pois, “é fruto do Espírito Santo que sempre age na Igreja” (ET 11).
Após a morte de nossa Fundadora, a experiência particular de Comunhão com Cristo “em honra da Imaculada Conceição” vivida durante alguns anos com Beatriz faz que as primeiras Irmãs prossigam o caminho iniciado, sentindo-se agraciadas e responsáveis do carisma concepcionista.
A experiência cristã de Beatriz está profundamente imbuída por aquilo que a Igreja vive naquele momento: a “piedosa” opinião da Conceição puríssima de Maria. A partir dessa ótica orienta seu seguimento de Cristo. Aberta ao Espírito Santo, ela descobre no mistério da Conceição de Maria sua maneira peculiar de acercar-se ao Evangelho e torná-lo forma de vida para si e sua família religiosa. Assim após um longo processo nos entrega o precioso carisma inspirado na Conceição Imaculada de Maria.
A contribuição desta espiritualidade concepcionista tem um aspecto de importante novidade. Radica naquela intuição de Beatriz de compreender o mistério da Conceição Imaculada como uma forma precisa para o seguimento de Cristo, em união e a exemplo de Maria.
Segundo a Regra, viver o carisma concepcionista supõe a referencia totalizante ao mistério da Imaculada Conceição de Maria. Em realidade o mistério da Gratuidade de Deus, pois a misericórdia do Pai chega a Maria e, através dela, a toda humanidade.
Existe uma profunda compenetração da espiritualidade franciscana com o carisma da Ordem da Imaculada Conceição. Dizem claramente as Constituições Gerais: á Ordem da Imaculada Conceição encontrou na espiritualidade franciscana um apoio para chegar a Cristo e a sua Mãe Imaculada. Não porque “Beatriz foi ajudada com obras e conselhos dos Irmãos Menores, mas sobretudo, porque os núcleos espirituais franciscanos acharam felizmente na OIC. O núcleo principal onde se estreita a relação do carisma franciscano e concepcionista é, sem dúvida, a pessoa de Maria no mistério de sua Conceição Imaculada.
A primeira e mais constante reflexão que pode fazer uma concepcionista sobre sua Mãe Imaculada é o reconhecimento de sua pequenez. “O Senhor pôs os olhos na pequenez de sua serva” (Lc 1,48). Seu canto jubiloso do Magníficat deve ser também o nosso hino de louvor e gratidão.
julho 09, 2013
julho 05, 2013
junho 18, 2013
abril 25, 2013
A Historicidade e Espiritualidade Concepcionista de Beatriz da Silva e Meneses e Joana Angélica de Jesus: Algumas Abordagens, Alguns Documentos
Antonia da Silva Santos (SEC/FAPESB)
APRESENTAÇÃO Nascida de família nobre, Beatriz da Silva e Meneses cresceu num ambiente que traduziria posição de mando, não só pela sua indiscutível e invejada beleza, mas, também, pela sua posição dentro da Corte. Se por um lado, a vida lhe apresentava destaque através de luxo e nobreza, Beatriz da Silva optou pela arte de servir, caracterizando, inclusive, seu espírito de liderança, criando a Ordem da Imaculada Conceição. Após a morte da fundadora, que tem como data provável, o dia 17 de agosto de 1490, a ordem contemplativa delineou o que viria a ser a poderosa Ordem da Imaculada Conceição, expandindo-se em vários cantos da terra. Fundada na cidade de Toledo, na Espanha, em 1484, conta hoje, com mosteiros em Portugal, na Espanha, na Bélgica, na Bolívia, no Peru, no Equador, no México, na Colômbia, e Brasil. No Brasil, a ordem concepcionista foi marcada pelo surgimento de um importante mosteiro: o Mosteiro da Lapa, na cidade de Salvador, que após licenças régias de 1733 e pedidos insistentes, foi fundado pela necessidade de abrigar jovens que sentissem a vocação religiosa. O convento foi construído ao lado de uma capela onde seria invocada Nossa Senhora da Conceição da Lapa. Dentre as figuras que povoaram o Convento da Lapa, destaca-se uma religiosa que fez parte da História do Brasil. Trata-se da Madre Joana Angélica de Jesus, baiana, nascida em Salvador e que, com a idade de vinte anos, em 1782, recebeu o hábito concepcionista. Poucos dados de sua vida foram transmitidos por diversos historiadores, colocando a abadessa ao lado de grandes nomes que participaram da luta pela Independência do Brasil. SANTOS (2004) selecionou quarenta e um documentos referentes às religiosas do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa – BA, dentre os quais, dezesseis escritos e/ou assinados pela Madre Joana Angélica de Jesus. Do rol dos textos editados, foram selecionadas abreviaturas ainda não publicadas e mostradas neste trabalho. É destacada a classificação das abreviaturas constantes nos textos e um levantamento dos seus significados categoriais. Beatriz da Silva e Meneses
algumas abordagens A vida de Beatriz da Silva reporta aos tempos que Portugal e Espanha mediam suas forças, época que Portugal insistia em firmar suas as suas fronteiras. Essa volta ao passado deve-se às reminiscências que, a exemplo de muitas pessoas célebres da História e das Letras, também, Beatriz da Silva é incluída no rol da disputa entre cidades que lhe teriam servido de berço. Alguns autores teriam dado como local do seu nascimento, Campo Maior, em Portugal, comarca de Elvas, distrito de Portalegre, Arquidiocese de Évora, província de Alentejo, por ter vivido ali, em anos que antecederam sua ida à Corte. Outros autores dão como sua cidade natal Ceuta, ao lado da África, localizada ao sul de Portugal, a partir de dados do seu pai, D. Rui Gomes da Silva, ter sido capitão daquela praça de guerra, desposando Isabel de Meneses, jovem pertencente a nobre família lusitana. Contudo, estudos mais recentes[1] apontam que Beatriz da Silva nasceu em Ceuta, em 1424, cresceu em campo Maior, descendendo de espanhóis e portugueses (BAGGIO, 1996: 9-10). As pesquisas com os grandes conhecedores de Beatriz da Silva e Meneses lembram que “não deixa de ser portuguesa, uma vez que nasceu em possessão e de pais portugueses”. Também não deixa de ser africana, pois foi em terras africanas que viu a luz da vida e foi ali que deu os primeiros passos (BAGGIO, 1994: 12). Ainda é mostrada sua ligação com a Espanha, pelo fato de viver lá parte de sua vida e de morrer e ser sepultada em terras espanholas. Nas famílias dos Gomes da Silva e dos Meneses, Nossa Senhora foi o centro da devoção religiosa, sob o título de Imaculada Conceição. Cresceu, portanto, num ambiente religioso, a jovem Beatriz da Silva, para quem a Virgem Maria era fortíssima. Beatriz da Silva sentia-se bastante atraída pelo título Imaculada Conceição, numa época em que haviam discussões acirradas sobre o assunto (CRUZ, 1989: 7). A espiritualidade concepcionista A Ordem Concepcionista foi fundada por Beatriz da Silva e Meneses, com o apoio da Rainha Isabel, em 1484, embora decorressem alguns anos a mais até que todos os trâmites legais fossem satisfeitos e a Ordem viesse a ser aprovada. Em 30 de abril de 1489, o Papa Inocêncio VIII aprovou a Ordem Concepcionista, através de um documento conhecido como Bula Inter Universa.
julho 19, 2010
março 31, 2010
dezembro 09, 2009
Imaculada Conceição: o “sensus fidei” feito dogma
História e reflexões sobre a festa mariana
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- A Igreja celebra hoje a festividade da Imaculada Conceição. Como é tradição, o Papa lhe rendeu homenagem, com um cesto de flores, diante da imagem que se encontra na Praça de Espanha, em Roma.
O ministro geral da Ordem dos Frades Menores Franciscanos, padre José Rodríguez Carballo, nos microfones de Rádio Vaticano, compartilhou reflexões sobre o terceiro dogma mariano, proclamado há 155 anos pelo Papa Pio IX, recolhendo assim o “sentido de fé” (sensus fidei) do povo cristão.
Padre Rodríguez Carballo assinala como a fé cristã, em sua tradição, combinou sempre a religiosidade popular com a reflexão dos teólogos e do Magistério. “Tudo isso sob o sopro do Espírito Santo”, afirma.
A festa que se celebra é um claro exemplo disso, assegura o sacerdote, que indica que as Sagradas Escrituras não se referem à Imaculada Conceição de Maria explicitamente. Não obstante, desde o século II, Santo Irineu de Lyon fazia alusão ao contraste entre Eva e Maria.
Ambas mulheres, livres de pecado original: a primeira, usando mal sua liberdade, pecou e se distanciou do Paraíso; a segunda permaneceu fiel a sua natureza imaculada e se converteu para todo ser humano em um modelo de qualquer virtude representada em alto grau.
“De todos os modos, a proclamação de Maria como pura, limpa e sem mancha como santuário de impecabilidade não se entendia desde o seio materno, mas desde seu nascimento”, explica o superior dos franciscanos.
O religioso recorda o teólogo Juan Duns Scotto (segunda metade do século XIII), grande mestre de Oxford e Paris, que “defendeu o mistério imaculista em toda sua plenitude, apelando à redenção preventiva de Maria por Cristo seu filho antes de vir ao mundo”.
“Logo depois desta teoria, houve uma série de estudos mariológicos sobre a ‘cheia de graça’ e ‘morada do Verbo Encarnado’, que faria da ordem franciscana como uma porta-voz da declaração dogmática desta verdade de fé para a Igreja Universal”, explica o frade.
Os estudos teológicos e o clamor do povo por aceitar a Virgem como Imaculada concluíram na proclamação do dogma da Imaculada Conceição, em 1854.
Para isso, o Papa Pio IX consultou 603 bispos ao redor do mundo, dos quais 546 se declararam favoráveis ao dogma. “Ao povo voltava deste modo o que do povo saiu: Maria, palácio na casa de Deus, a pura e limpa, a puríssima”, assinala o franciscano.
Ele destaca o enorme significado que isso implica: “Maria é uma mulher de nossa própria constituição que molda em absoluto o ideal de pureza, beleza e santidade descrita no Apocalipse como a mulher vestida de sol coroada de estrelas, com a lua por pedestal, e pisando na cabeça da serpente”.